pulsato

por alex araújo

olhando pra ele
vendo sair aquilo que nele habitava
que atrás dos olhos
dele
pulsando habitava
ela
deixou escorrer
um sentimento, um gostinho, uma espécie de coceira

que
num sorriso descontrolado
apertou o metal.
uma, duas, dez, incontáveis disparos

até que cessasse dos olhos, até
que cuspisse dos olhos, até
que fugisse dos olhos
se foi…

ele que duro,
depois de tantos apertos, depois de tanto esbravejo,
depois de tantos e tantos murros socados de estomago e boca
desfez-se

morre filho do filho de
merda, impotente!
escroto fodido
infértil, inerte,
não sorri! não sorri! não sorri!
engole essa merda!

esburacado
e seco, no agora
de dentro
ele,
abraçou-se ao monte de
de merda que em mistura se
fazia terra

e ela. após tanto tempo de cesso-
silêncio, sem gemido, sem gostar
sem quentinho, sem tremido…
deslizou a mão… – do lado daquilo
que remexendo… verme! –

soltou-lhe um ultimo chute
e sorriu de suspiro…

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